Homens das Cavernas
Um dos rastros da colonização Ibérica é a configuração de uma sociedade machista e patriarcal, na qual a cultura vem se normalizando a cada dia. Desde o período colonial, os homens tornavam as mulheres suas “escravas sexuais”, principalmente as negras. Séculos mais tardes, na própria literatura, obras como “Capitães de Areia”, de Jorge Amado, retratam o estupro causado, geralmente, pelo “herói”. E, até hoje, a violência sexual se perdura, gerando um questionamento: A culpa é da vítima ou do “homem primitivo” que não controla os impulsos sexuais?
No Brasil, o sensualismo exacerbado da mulher é visto na própria cultura, como no carnaval ou em comerciais de cerveja. Porém, essa sensualização, em roupas, por exemplo, é vista como um atenuante para o agressor. Numa pesquisa do IPEA, cerca de 26% dos entrevistados afirmam que “mulheres que usam roupas provocantes devem ser atacadas”. Em contraste, no Oriente Médio, no qual a cultura requer o uso da burca, a mulher é vista como objeto imoral e o estupro não é crime contra elas, mostrando assim que a roupa não culmina para tal ato.
Tendo em vista essa culpabilização da vítima, as mulheres tendem a seguir a lei do silêncio, muitas vezes, por medo de seus agressores, no qual na maioria das vezes são familiares ou amigos. Dados do Ministério da Justiça confirmam esse fato, mostrando que apenas 8% dos casos são denunciados. Ainda mais alarmante, dados da ONU foram recentemente vazados revelando que todos os anos crianças africanas são estupradas por membros em missão de paz, por troca de comida. Trazendo à tona, mais uma vez, o ser humano como “homem primitivo”, que nem em situações de calamidade, conseguem controlar seus desejos e impulsos sexuais.
Portanto, medidas devem ser tomadas, a começar na educação, que começa na família e tem evidência na escola, sendo assim, é preciso abordar temas como violência sexual e machismo, abrindo a mente dos jovens. Os meios midiáticos, através de campanhas, precisam quebrar este conceito de sociedade sexista e alguns tabus. Por fim, leis devem ser vigoradas pondo um fim à impunidade.
Duda Tavares

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