A Pátria amada que não ama.
Na Grécia antiga, era comum que os pensadores da época tivessem relações sexuais com seus discípulos, haja vista que a figura masculina era símbolo de perfeição e adoração, logo abaixo dos deuses gregos. Toda essa prática era considerada natural entre os mais bravos guerreiros ou até mesmo em relatos de heróis mitológicos. Todavia, no contexto mundial atual, vê-se pessoas que não seguem os padrões de união entre homem e mulher serem inferiorizadas com discursos de intolerância e preconceito embasados em fundamentos religiosos. Desse viés, seria a heterossexualidade uma coisa tão frágil quanto o calcanhar de Aquiles?
Na américa pré-colombiana, a heterossexualidade era vista como algo natural, entretanto, após a chegada dos europeus, ocorreu um processo de aculturação de certos pensamentos e ideologias que demonizaram a relação entre duas pessoas do mesmo sexo. Atualmente, a intolerância é tão explícita que o ato de andar de mãos atadas nas ruas tornou-se o estopim para agressões verbais e físicas. Esse conflito entre pessoas que desejam viver livres e indivíduos que os tolhem dessa liberdade já desencadeou muitas mortes ao longo de vários anos. Inclusive, toda essa inflexibilidade é perpetuada nas gerações por meio das escolas, famílias, religiões e até mesmo por representantes políticos os quais se utilizam do argumento que tais grupos são contrários à dita lei dos homens e que vão de encontro às leis divinas.
O contexto atual do Brasil e os reflexos de longos anos de repreensão e preconceito fizeram com que os oprimidos passassem a buscar mais voz perante tamanha exclusão e, de certa forma, conseguiram, haja vista que existem pessoas que defendem o movimento LGBT mesmo não fazendo parte desse grupo. Entretanto, ainda assim, o medo perturba os casais formados fora do padrão estabelecido pela sociedade, visto que o ato de andar na rua ou utilizar transportes públicos sem que sejam julgados e discriminados é algo raro; além da impunidade também corroborar tamanha intensidade desses crimes. Alguns homens heterossexuais são denegridores de imagem de pessoas homossexuais para se autoconvencerem de que são "machos". Visto isso, pode-se dizer que o maior medo do heterossexual é que um gay o trate da mesma forma pela qual ele trata uma mulher, enquanto LGBTs se privam de andar nas ruas com seus companheiros por medo de terem suas vidas ceifadas.
Ao olhar de estrangeiros, os brasileiros formam uma nação unida por amor e futebol que luta para o bem geral em comum, entretanto, quem vive as problemáticas sociais sabe que se trata de uma pátria amada a qual não ama tanto assim. Portanto, é necessário, por parte das Esferas Governamentais, uma educação mais inclusiva nas escolas, mostrando à próxima geração que, independente da orientação sexual, deve-se manter o respeito como a base de tudo; assim como vigorar as penas para os crimes de homofobia. As famílias no geral também têm sua importância, uma vez que quando quebrados desde a socialização primária, os estereótipos negativos que assolam a sociedade brasileira podem ser extintos, corroborando para uma sociedade em que as pessoas sejam aceitas por ser quem são, pois não é chocante ver duas pessoas do mesmo sexo juntas e sim a intolerância que, em números e estatísticas absurdas, matam-nas a cada dia.
Fabiano Pereira de Souza.

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