Porque há o direito à leitura, então eu leio.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Para um fera, por Thomason Carvalho


Ser pré-vestibulando é difícil demais. Lhe dar com o possível fracasso de um sonho é doloroso demais. Dormir tarde e acordar antes do alvorecer é cansativo demais. Lutar contra si porque o dia aparentemente será complicado é sofrido demais. Não ter uma mão estendida ou um abraço que possa acalentar a dor, desânimo, medo, decepção; além de passar o sentimento de estar só, abandonado, inseguro , é pesaroso demais. Na verdade, no ano de vestibular é tudo demais, menos a ajuda, o incentivo, o você consegue, vai em frente, "tô" contigo, eu acredito em você. Sabe fera, compartilho contigo essa massante realidade de vida. Eu sei dos seus sentimentos, das dores por carregar nas costas uma bolsa não só com o peso dos materiais, mas também de sonhos e objetivos, também sei desse olhar de fadiga e de lacrimejar, sei também de sua mão na testa,passando pela cabeça, que volta até o rosto para enxugar as lágrimas, sei também das unhas ruidas, da mão no queixo, do agitar das pernas, do rebaixar a cabeça, do deitar; calma, quase esquecia que nessa fugaz corrida você também não dorme, é meu caro, eu sei que faz um bom tempo que não dormes, do chorar e do sorrir. A vida é corrida, fugitiva até, e no ano do vestibular parece que o tempo encurta ainda mais, para alguns ele até demora, mas sabe por quê? Estes já estão cansados da exaustiva condição desse ano cheio de turbilhões. Inclusive, a superficialidade humana também te atinge nesse sentido, dos pais aos seus parentes, passando pelos seus amigos, parecem não se importar, não ligar até desacreditar. Isso porque eles não podem ter tido quem os ajudassem, ou muitos não conseguem interpretar Teu rosto, captar teus sinais. Somos muito frágeis, mas nos endurecemos demais. Ei, calma, respira... Eu notei, outros podem ter notado. Essa tentativa de texto é uma prova disso. Ei, fera, compartilho dos teus pesares e, mesmo que esteja distante de alguns, me importo da mesma forma. Por isso, estendo minha mão: levanta! Eu sei que consegues. Abro meus braços: espero que possam te trazer alívio e tranquilidade. Te dou meu ombro: qual a tua dor? Pode falar, desabafar, desabar. Espero, também, que meus olhos te deem esperança é força. Te desejo, fera, sorte e saiba que me importo contigo e acredito em seu potencial. Se importar com o outro é o maior ato de humanidade. Não percamos tal prática.
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