A Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, foi responsável pelo começo do ciclo de produção em massa, que se sustenta até os dias atuais. Ao longo do tempo, acompanhados do estilo de vida capitalista, variados meios surgiram para incentivar os indivíduos ao consumo. É irrefutável que o avanço tecnológico foi um dos maiores adventos da humanidade, sendo que, a partir do momento em que a população tornou-se refém do consumismo, diversas problemáticas instalaram-se na sociedade.
Frequentemente, novos produtos mais tecnológicos são lançados e as empresas utilizam diversos métodos para introduzi-los no mercado consumidor. Entre eles estão os anúncios publicitários e as estratégias de marketing, que têm como função despertar a necessidade de obtenção nos indivíduos. Outrossim, os meios midiáticos são pioneiros no incentivo ao consumo, visto que possuem um alto poder de alienação na contemporaneidade.
"Vivemos tempos líquidos, nada é feito para durar." A frase de Zygmunt Bauman, autor do livro Amor líquido, encaixa-se no contexto da obsolescência programada, um dos artifícios de venda mais adotados no meio tecnológico. Os aparelhos são programados para que seu tempo de vida útil seja menor, e, atualmente, o fenômeno passa desapercebido por grande parte da população. Dessa forma, a sociedade de consumo é incentivada a realizar a troca dos objetos que apresentarem defeitos, quando, concomitantemente, as empresas estão a produzir novos utensílios, e consequentemente, elevando a demanda de resíduos eletrônicos.
Ademais, mesmo com a Lei do Resíduo Eletrônico aprovada em 2010, a qual exige o descarte correto, segundo a ONU, entre os países emergentes, o Brasil é o que mais produz lixo eletrônico. Vale destacar que os aparelhos tecnológicos são compostos por diversas substâncias químicas e o seu descarte errôneo gera impactos ao ambiente. Assim, o despejo desses utensílios no lixo convencional leva risco sobretudo às pessoas que trabalham em lixões, uma vez que, além da contaminação do solo e da água, a degradação desses objetos provocam doenças no contato com o ser.
Sendo assim, cabe à sociedade em um todo ser reeducada sobre os malefícios financeiros, sociais e ambientais trazidos pelo consumo en excesso, podendo partir campanhas midiáticas. Outrossim, são plausíveis melhorias na coleta do lixo eletrônico, sendo disponibilizados mais postos de arrecadação para que a população destine adequadamente os resíduos, e também um aperfeiçoamento na coleta seletiva. Além disso, deve haver iniciativas públicas e privadas, como a das instituições Itautec e Sebrae, para que os dejetos sejam reaproveitados, gerando lucros e evitando descartes irregulares.
Thomáz Pinho

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