A segregação social não só no Brasil como no mundo é evidente. Não enxerga quem tem os olhos tapados pelo dinheiro. Inclusive, são estes que controlam o modo de vida e condenam os detentores de pouco capital à periferia. É simples falar de segregação no Brasil quando existem dois polos. Norte e Sul. Europa e África. Estados Unidos e resto do mundo. E é a partir dessa polarização que se percebe a camarotização da sociedade.
A história de segregação mundial é, a priori, dividida em dois ramos. Social(econômica) e racial. Desta, tem-se como auges a escravidão e o imperialismo, nos quais o continente africano foi repartido entre as potências europeias e suas colônias, com o critério de que os negros eram de alguma forma inferior, ou como o personagem de Leonardo Dicaprio disse no filme Django Livre(2012): "eles possuem características fisiológicas [frenologia] na cabeça que é responsável pela capacidade de servir". Espere, não só a "ciência", como a religião também condenava essa segregação, ao afirmar que os negros eram descendentes amaldiçoados de Noé. O reflexo disso é claro, após centenas de anos de exploração, os negros ainda não conseguiram sua liberdade plena, a nível mundial, por diversos fatores, e a nível brasileiro, por faltas de políticas públicas eficientes e que condenaram esta parte da população aos cortiços e, posteriormente, à periferia.
Já a nível sócio-econômico, o problema se dá, principalmente, pela má distribuição de renda. O dado principal, divulgado pela ONG britânica Oxfam, que corrobora esse fato é que 80 pessoas detêm 50% da economia mundial, equivalendo a 3,5 bilhões de pessoas juntas. Enquanto o interesse maior for acumular o capital, a quantidade de detentores tenderá a diminuir e a percentagem tenderá a aumentar, exponencialmente. Inclusive, a pesquisa ainda mostra que 30% destes são dos EUA, e os da Europa não foram divulgados. Daí você para pra pensar, com tanto dinheiro concentrado em tão poucas pessoas, quando eles morrerem o que acontece com esse dinheiro? É uma pergunta pertinente, não achas? Pois bem, o dinheiro seguirá de herança e herança até a consumação dos séculos. Sabe, a ganância que possuir vários zeros na conta traz é extremamente desgastante. É extremamente solitária. É extremamente desumana. Negar o direito à alimentação a cerca de 800 milhões de pessoas que passam fome no mundo é algo que ultrapassa o limite de maldade até do próprio Satanás.
A música Xibom Bombom, dos anos 90, ilustra perfeitamente, já nesta década, o que está sendo mostrado ao longo deste texto. "O motivo todo mundo já conhece, o de cima sobe e o debaixo, desce." Quer letra mais socialista e atual que esta? O grande problema está também na segregação cultural que a polarização citada anteriormente causa. Em nível brasileiro, os ritmos de matrizes africanas como o axé, ou de origem afro-brasileira a exemplo do funk são caracterizados como, puramente, lixo. Você já parou pra pensar por que o balé é considerado puro e cultural enquanto o funk é depravado e pedestre? Talvez você não tenha reparado, mas o motivo disso é a "camarotização" da cultura. Aquilo que vem do branco, do rico, que você gasta fortunas para acompanhar e que muitas vezes você nem entende é o que é vendido como socialmente "bom". Quando na verdade, o que é realmente bom é o que te faz bem e te dá prazer, não importa a forma, nem a origem.
Não queira pensar que este texto é uma tentativa de lhe tornar socialista. Tampouco, de dizer para que você divida todos os seus bens com os mais pobres. O foco é apenas mostrar a verdade como ela é. Como o capitalismo junto à condição humana de ganância influenciam na disposição mundial econômica e nas relações com os seres humanos. Não seria mais fácil se o mundo fosse empático? Mas calma, ainda não estou dizendo que a obrigação é puramente sua, apenas que sua contribuição como cidadão mundial é necessária.
O texto não tem conclusão, você deve pensar e ver se o caminho que a humanidade está tomando é o ideal. O poema abaixo ilustra bons pensamentos.
Sobre A Ganância
A ganância leva os homens
para as frias ruas do egoísmo...
Devasta o amor, a paz, a solidariedade,
empurra a bondade para o abismo.
para as frias ruas do egoísmo...
Devasta o amor, a paz, a solidariedade,
empurra a bondade para o abismo.
Caminha indiferente aos apelos,
pisa os que se interpõem em seu caminho,
esmaga a tantos em seus atropelos,
perfura a todos com seus espinhos.
pisa os que se interpõem em seu caminho,
esmaga a tantos em seus atropelos,
perfura a todos com seus espinhos.
A ganância caminha sem compaixão,
destrói convivência pacífica, sonhos, encarna Caim,
leva em seu cerne indiferença sem fim
e no final do caminho mergulha num lago de solidão.
destrói convivência pacífica, sonhos, encarna Caim,
leva em seu cerne indiferença sem fim
e no final do caminho mergulha num lago de solidão.
A ganância é um poço sem fundo,
inimigo-mor que destrói a perfeição,
na sua voracidade esvazia e destrói o mundo,
faz da vida um palco em confusão!
inimigo-mor que destrói a perfeição,
na sua voracidade esvazia e destrói o mundo,
faz da vida um palco em confusão!
Local:
Recife, Recife
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