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sábado, 23 de abril de 2016

Tema: A romantização das doenças psicológicas


Comédia trágica


A romantização das doenças psicológicas nada mais é do que retirar o peso de algo sério e atribuir caráter positivo, visando dar o ar de comédia ou impressionar. Entretanto, com as mídias sociais em seu maior auge, é sabido que existe uma linha tênue entre sanidade mental e discernimento para não associar erroneamente algo de peso, com uma brincadeira de caráter perigoso. A partir dessa questão, nota-se a necessidade de entender quais fatores culturais e sociais podem tornar evidente o descaso com as doenças de cunho psicológico, principalmente com a população mais pubescente, no meio virtual.

Em uma análise inicial, faz-se pertinente perceber a herança cultural passada através dos anos que atinge e influencia na vida do povo contemporâneo. Isso ocorre porque nas primeiras civilizações, como é o caso da Grécia, as pessoas tinham a comédia e a tragédia como formas de expressão. Hoje, parece que isso se uniu, afinal, é possível perceber em redes sociais, como o "Tumblr", o vasto número de postagens romantizando doenças, como automutilação e bipolaridade; brincando com tais patologias, em prol de uma falsa atenção. Prova disso é que vários adolescentes postam em suas redes sociais frases como "estou com depressão", fazendo total descaso com quem enfrenta, de fato, essa doença.

Outrossim, tangenciando a astrologia, algumas pessoas associam o signo de gêmeos à bipolaridade, de forma que comparam o caráter mutável dos geminianos, com uma patologia de extremos: ora depressiva, ora maníaca. Por conseguinte, instaurou-se na internet brasileira uma onda de "falsos bipolares", que confundem mudanças de humor com a bipolaridade, ou vão além, achando positivo ter tal transtorno, e até se descrevem enquanto bipolares. Parafraseando a ideia do sociólogo americano Joseph Rupert, as pessoas só romantizam características negativas, porque a realidade não parece tão atraente.

Assim sendo, é necessário quebrar os paradigmas culturais enraizados, sobretudo, na internet, a fim de reduzir os discursos românticos a respeito de doenças psicológicas. Então, sabendo que a problemática é mais persistente em adolescentes, o Ministério da Saúde deve instruir, por meio de palestras, a população mais jovem sobre os verdadeiros malefícios das doenças que prejudicam a saúde mental. Dessa maneira, é dever também da família auxiliar os jovens nesse processo, orientando de forma pedagógica sobre o poder que há por trás de discursos impensados mediante raiva ou estresse.

Leonardo Costa
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