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terça-feira, 17 de maio de 2016

Tema: Famílias LGBTs no Brasil: ascensão e desafios.



Preconceito, intolerância, exclusão. Tais palavras, a priori ,descrevem a realidade vivida diariamente pelas famílias LGBTs no Brasil. O legado deixado desde os tempos coloniais no país, de que deve existir apenas um único padrão familiar, atualmente, desencadea o processo de segregação das linhagens que não estão de acordo com esse princípio. A sociedade, considerada um viés amplo para diminuir essa prática antiga, prefere banalizar o preconceito e utilizar-se de argumentos, muitas vezes, baseados em dogmas religiosos para justificar tamanha inflexibilidade.

Desde pequenos, somos induzidos a reproduzir discursos que nos levam a pensar e agir de forma padrão. A demonização através de doutrinas religiosas, o preconceito criado desde a socialização primária e até mesmo anúncios publicitários aos quais não descrevem como “família” tudo aquilo que seja formado fora do paradigma de duas pessoas com sexos opostos perpetuam a intolerância nas gerações .Essa inflexibilidade é fruto da religião europeia, visto que, entre os índios, a homossexualidade era considerada algo natural.

A pseudo inclusão na qual as famílias formadas por LGBTs são inseridas não os tornam invulneráveis ao vasto preconceito que os rodeiam. E, assim, além do esforço para quebrar tabus impostos pela sociedade e religião, essas novas linhagens necessitam lutar por sua jurisprudência. O Estado, que alguns políticos os quais o compõe, o consideram como “laico-cristão”, é uma das principais instituições utilizadas por intolerantes para disseminar um discurso de ódio, de forma implícita, aos homossexuais. Em suma, as famílias construídas por pessoas do mesmo sexo formam uma ilha que está cercada por um mar de ignorância, haja vista que esses grupos são contrários à dita lei natural dos homens, indo de encontro às leis divinas.

Entretanto, os casais homossexuais são precursores de cerca de 67% das adoções realizadas no país de acordo com dados da Vara da Infância e da Juventude(VIJ).Em linhas gerais, consortes LGBTs estão adotando crianças com o intuito de formar uma família e proporcionar uma vida que heterossexuais não puderam por inúmeros fatores. Assim, o que esses novos grupos familiares buscam são a inclusão, e o fim da intolerância e do preconceito, visto que são pessoas comuns que tentam viver livremente no meio social.

Portanto, é necessário, por parte do Governo Federal, implantar formas de educação inclusiva nas escolas para desnaturalizar o preconceito antes mesmo que este seja construído na socialização primária. Assim como estudar maneiras de aplicar um real Estado laico para que deputados e afins não interfiram na vida da população com base em argumentos religiosos. É irrefutável também, que a mídia têm um papel importante para extinguir a intolerância, através de seus canais de comunicação que incluam casais LGBTs no contexto de “família”. Isso porque, conforme Pierre Bourdieu, em suma, diz, toda mudança no meio social é possível, mas esta é feita de forma lenta e gradativa e é fruto de uma relação mútua entre indivíduos.

Fabiano Pereira de Souza


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