Preconceito, intolerância, exclusão. Tais
palavras, a priori ,descrevem a realidade vivida diariamente pelas
famílias LGBTs no Brasil. O legado deixado desde os tempos coloniais
no país, de que deve existir apenas um único padrão familiar,
atualmente, desencadea o processo de segregação das linhagens que
não estão de acordo com esse princípio. A sociedade, considerada
um viés amplo para diminuir essa prática antiga, prefere banalizar
o preconceito e utilizar-se de argumentos, muitas vezes, baseados em
dogmas religiosos para justificar tamanha inflexibilidade.
Desde pequenos, somos induzidos a reproduzir
discursos que nos levam a pensar e agir de forma padrão. A
demonização através de doutrinas religiosas, o preconceito criado
desde a socialização primária e até mesmo anúncios publicitários
aos quais não descrevem como “família” tudo aquilo que seja
formado fora do paradigma de duas pessoas com sexos opostos perpetuam
a intolerância nas gerações .Essa inflexibilidade é fruto da
religião europeia, visto que, entre os índios, a homossexualidade
era considerada algo natural.
A pseudo inclusão na qual as famílias
formadas por LGBTs são inseridas não os tornam invulneráveis ao
vasto preconceito que os rodeiam. E, assim, além do esforço para
quebrar tabus impostos pela sociedade e religião, essas novas
linhagens necessitam lutar por sua jurisprudência. O Estado, que
alguns políticos os quais o compõe, o consideram como
“laico-cristão”, é uma das principais instituições utilizadas
por intolerantes para disseminar um discurso de ódio, de forma
implícita, aos homossexuais. Em suma, as famílias construídas por
pessoas do mesmo sexo formam uma ilha que está cercada por um mar de
ignorância, haja vista que esses grupos são contrários à dita lei
natural dos homens, indo de encontro às leis divinas.
Entretanto, os casais homossexuais são
precursores de cerca de 67% das adoções realizadas no país de
acordo com dados da Vara da Infância e da Juventude(VIJ).Em linhas
gerais, consortes LGBTs estão adotando crianças com o intuito de
formar uma família e proporcionar uma vida que heterossexuais não
puderam por inúmeros fatores. Assim, o que esses novos grupos
familiares buscam são a inclusão, e o fim da intolerância e do
preconceito, visto que são pessoas comuns que tentam viver
livremente no meio social.
Portanto, é necessário, por parte do
Governo Federal, implantar formas de educação inclusiva nas escolas
para desnaturalizar o preconceito antes mesmo que este seja
construído na socialização primária. Assim como estudar maneiras
de aplicar um real Estado laico para que deputados e afins não
interfiram na vida da população com base em argumentos religiosos.
É irrefutável também, que a mídia têm um papel importante para
extinguir a intolerância, através de seus canais de comunicação
que incluam casais LGBTs no contexto de “família”. Isso porque,
conforme Pierre Bourdieu, em suma, diz, toda mudança no meio social
é possível, mas esta é feita de forma lenta e gradativa e é fruto
de uma relação mútua entre indivíduos.
Fabiano
Pereira de Souza

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