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terça-feira, 14 de junho de 2016

Tema: Há limites para o humor ou vale tudo pela liberdade de expressão?


Acrobata da dor


O uso do humor como forma de expressão tem sido comum ao longo da história. A partir dos registros das canções trovadoras de escárnio, hoje, pode-se afirmar que sua representação ganhou força com as redes sociais. Assim, cabe analisar até que ponto a ofensa travestida de comédia pode ser levada em conta, uma vez que tem sido comum em âmbito mundial. 

Num contraponto de críticas ao quadro político vigente, a satirização feita, durante a Revolução Francesa, de Luís XIV, fazia reclame às condições precárias da época, diferindo, assim, dos ataques misóginos à presidenta Dilma. O uso da imprensa também é importante nesse sentido, uma vez que possui o poder de difusão de conteúdos, contudo, sem um bom discernimento, pode levar à aceitação sem que quem esteja recebendo reflita acerca do assunto.

A perspectiva de quem é maioria social mediante os levantes e os debates sobre a inclusão das minorias é que aquela tem um caráter neoinquisitivo, uma vez que essas tentariam tolher a liberdade de expressão ao combater a perpetuação de preconceitos no humor. Desa forma, os limtes desse direito constitucional deve se basear na convivência empática, e não uma viver em detrimento da outra, mantendo constante o ciclo opressor-oprimido.

O poema Acrobata da dor de Cruz e Souza mostra um outro ponto de vista do humor, tendo como base a mascaração dos sentimentos verdadeiros em detrimento da espetacularização do convívio social. Um exemplo disso seria o esteriótipo, atribuído aos gays e às travestis, de comicidade, enquanto a maioria sofre homotransfobia, sendo uma forma de a sociedade subverter o real panorama vivenciado por estes. 

Para que se respeite os limites entre humor e ofensa, portanto, é necessária a introspecção individual, para que se estabeleça empatia ao próximo. Ainda, que o Governo Federal continue na divulgação da página do Facebook Humaniza Redes, a fim de mitigar a perpetuação de preconceitos nas redes sociais. Inclusive, que a mídia também colabore, ao trabalhar para desconstruir esteriótipos de opressão, resultando, assim, numa sociedade mais igualitária.


Eduardo H.
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