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segunda-feira, 25 de julho de 2016

Tema: Erotização infanto-juvenil: objetificação do corpo feminino e a vulnerabilidade das crianças

"E essa boca? Que grande! É para te devorar!"


Na Idade Média, a infância terminava para a criança ao ser desmamada, o que acontecia por volta dos seis anos de idade. Na contemporaneidade, a puerícia acaba quando crianças são expostas à adultez precocemente e acabam adentrando no mundo da vulgaridade sem ao menos saber o significado da palavra vulgar. Dessa forma, essa problemática desperta questionamento acerca dos riscos trazidos à própria vida das crianças e sociedade, pois é na configuração da infância que estão presentesas práticas formadoras da personalidade do indivíduo.

Nesse contexto, é importante salientar o poder de persuasão da mídia na vida das crianças, pois conforme a Teoria da Tábula Rasa, de John Locke,o ser humao nasce sem nenhum conhecimento e é modelado de acordo com as experiências vividas. Atrelado a isso, vale citar a afirmação de Antoine de Saint-Exúpéry, em "O Pequeno Príncipe", o qual afirma que os homens grandes não possuem amigos pois não podem comprá-los nas lojas, evidenciando que as crianças perdem sua infância porque podem "comprar" seus passaportes para a adultização em propagandas midiáticas e ao entrar no mundo da adultez acham que podem tudo.

Outrossim, cabe ressaltar o poder de convencimento e usurpação da Indústria Cultural que utiliza dos mais diversos mecanismos persuasivos para a construção de estereótipos, os quais Theodor Adorno e Max Horkheimer preconizavam, É notório, então, que as crianças ao verem os comerciais televisivos e vídeos da internet acabam reproduzindo-os, e expõem-se nas redes sociais, abrindo portas para situações que envolvam a pedofilia. A exemplo da erotização precoce, têm-se a MC Melody e o MC Brinquedo, os quais cantam e dançam músicas inapropriadas para a idade.

Dessa maneira, é possível analisar que o processo de socialização primária do indivíduo é o das experiências infantis, em que toma posse de um mundo objetivo e é integrado a uma dada realidade, como já preconizava Peter Berger. Assim, é notável que a população seria o "Lobo" da história da "Chapeuzinho Vermelho", pois ao adultizar precocemente as crianças "devoram" a infância dessas, deixando-as com uma identidade indefinida. Ademais, observa-se a objetificação que o corpo feminino sofre, tendo como exemplo os comerciais de cerveja e a "Globeleza" exposta ao público em épocas carnavalescas.

Faz-se necessário, portanto, que a sociedade interfira de maneira positiva na vida das crianças, fazendo-as estabelecer personalidade própria e sem que sejam influenciadas negativamente pela mídia. Cabe, então, às famílias e às escolas transmitirem os conhecimentos de base aos indivíduos, pois é na infância que é formado o pensamento crítico. As esferas governamentais devem, também, intensificar e fiscalizar as leis contra o abuso infantil e objetificação do corpo feminino, para que assim a "boca" da população seja usada para fins benéficos e para a perpetuação de ideias e não para "devorar" a infância das crianças.


Emmanoella Andrade
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