Canto VIII d'Os Lusíadas
Numa tarde ensolarada
Vai chegando o catual
Barba branca, longa e penteada
Pra ouvir sobre um moi de bandeira
Que vem lá de Portugal
O Catual interessado
Perguntou a Paulo da Gama
Que caba era aquele
E como é que ele se chama
Paulo respondeu
Sempre muito educado
Aquele se chama Ulisses
Filho do Famoso Baco
Ainda depois da resposta
O homem tava incucado
Que ramo verde tirso era aquele?
Tinha sido por seu pai usado
Repare nesse outro homi danado
Ulisses é seu nome
É protegido pela Deusa
E a brabeza o consome
Mas se em Troia ele pecou
Logo conseguiu Redenção
Por moidi fundar a querida Lisboa
E que bela criação
E quem será estoutro cá
Que o campo abrasa com tantos mortos?
Ah, o seu nome é Viriato
E matar está nos seus votos
Foi pastor de gado
E em Roma o aclamaram
Mas cum artimanha vergonhosa
A vida lhe tiraram
Vês também as bandeiras das aves de Júpiter
Com tantas artes enganosas
Sorrateiras artimanhas
E ideias venenosas
Maneiras tão fingidas
E a cerva que o avisa
Ele é Sertório
E a corça profética a sua divisa
Olha estoutra bandeira
E vê pintado o arretado Grão Progenitor
Se chama Conde D. Henrique
Que faz e desfaz favor
Os portugueses diziam que ele era húngaro
Que é até fácil de entender, sem problema
Mas os estrangeiros dizem que ele tinha nascido em
lugar que tem nome de
moça bonita Lorena
“Quem é, me dize, esse outro que me espanta”
Perguntou o Malabar maravilhado
Homi, com esse é melhor nem mexer
Por moidi ser um caba brabo
Este é o primeiro Afonso
Que todo Portugal aos mouros toma
Este é aquele zeloso, a quem Deus ama
Com cujo braço o mouro inimigo doma
Já esse aqui do lado
Em tudo mete o bedelho
Se chama Egas Moniz
Para leais vassalos claro espelho
Olha aqui mais um, Fuas Roupinho
Que no mar e na terra resplandece
Com tão justa e santa guerra
Sua felicidade se enaltece
Mai um sorriso tão da mulesta
A alegria vai na alma
Triunfando, nos céus,
Com justa palma
Gama continua a citar os cabas
Don Tenório que foi cercado
Henrique de Bom o milagreiro
Mem Moniz o exaltado
Tem até Giraldo sem pavor
Que na guerra era o terror
A cabeça dos caba arrancava
E com elas desfilava
Oia um cavaleiro arretado
É aquele Martim lopes
Que leva palma e louro
Pra deixar um camboi morto
Já aquele é Dom Mateus
Que em Lisboa era bispo
No coração leva Deus
E na espada a disgraça
Pra matar o inimigo
Estranho um bispo guerreiro
Mas o bicho era arretado
Matou um monte de reis
Com seu braço “consagrado”
Já aquele outro caba
D. Paio Correia de Castela
Uma espada não lhe furava
Pois era virado na mulésta
Ribeiro, Anes e Martins
Outrosomis muito arretado
Na França e Espanha lutaram
E pela luso deixaram
Um moi de troféu espalhado
Até nos jogos de beloma
Os três onda tirava
E quando desafiado
Gonçalo Ribeiro arrasava
A fim de babar o Deus cristão
Gama cita Nuno alvares
Que de Portugal era capitão
E arrochava nos embates
Pêro rodrigues, Gil Fernandes e Rui
Pereira
Nobres guerreiros de Portugal
Todos louvados e postos na bandeira
Por defender sua galera
De quem os queria mal
17 portugueses contra 400
castelhanos
Uma peleja desigual
300 portugueses contra mil romanos
Tudo encarava o povo de Portugal
Muitos são os guerreiros
da galera portuguesa
que topavam qualquer parada
e lutavam com muita destreza
Paulo da Gama insistente
Continua a expricar
Sobre as bandeiras portuguesas
Para as ideias clarear
Continua a expricar
Sobre as bandeiras portuguesas
Para as ideias clarear
Em Portugal os reis ingratos
Transtornados pela alta fama
Mancharam a linhagem antiga
Segundo o Da Gama
Transtornados pela alta fama
Mancharam a linhagem antiga
Segundo o Da Gama
O sol já se escondia
Pois sua hora já chegou
depois de altos closes
na noite o Catual desembarcou
Pois sua hora já chegou
depois de altos closes
na noite o Catual desembarcou
Na quimera noturna
os Arúspices relaxaram
E em visões e sacrifícios
O diabo incomodaram
os Arúspices relaxaram
E em visões e sacrifícios
O diabo incomodaram
Baco em fantasias se traveste
E em sonhos aparece
Fazendo a linha Maomé
Interfere nos planos do caba da peste
Acordando assustados
Os arúspices se inquietaram
Correndo apressados
Assim exclamaram:
E em sonhos aparece
Fazendo a linha Maomé
Interfere nos planos do caba da peste
Acordando assustados
Os arúspices se inquietaram
Correndo apressados
Assim exclamaram:
Não faça acordo com portugueses
Que confiáveis eles não são
Destruir nossas terras, roubar nossas riquezas
E escravizar o povo de Calicute irão
Que confiáveis eles não são
Destruir nossas terras, roubar nossas riquezas
E escravizar o povo de Calicute irão
Alertados
do perigo
Em prontidão então ficaram
Riquezas, terras e ofícios
Os sacerdotes ao Catual mostraram
Em prontidão então ficaram
Riquezas, terras e ofícios
Os sacerdotes ao Catual mostraram
Faça a cabeça do Samorim
Para os portugueses não vir
Eles querem lascar nossas terras
E nós temos que impedir
E se tu conseguir
Esses tesouros são pra ti
A milícia já formada
Contra Gama tramava
Verdade ou mentira? Não se sabia
E era aquela agonia
O Samorim abestalhado
se deixou ser envenenado
Contra Paulo da Gama, o coitado,
Que acabou preso e lascado
Após violenta discussão
Gama tem que se explicar
Para o Samorim abusado
Que estava a lhe interrogar
Paulo da Gama com sua lábia
Amoleceu o Samorim
Que com pena do pobre homem
Jurou proteção até o fim
Vendo que sua presepada não funcionou
O catual pensou: vou bolar um plano B
E agora, dessa vez,
Esse abestalhado vai ver
Gama esperto e perspicaz
Se ligou na fuleragem
Tratou logo de cabuetar
A tremenda sacanagem
O catual mais esperto
Já sabia o que fazer
Chantageou Paulo da gama:
Ou os bens ou vou lhe prender
Ele ainda falou assim:
Pra nau você não volta
Divide logo os teus bens
Ou prepara a tua cova
Paulo tenta resistir
Mas o Catual pouco se importa
O que o rei não puder ver
Jamais poderá mudar a rota
O governador resistente logo falou:
Você pode ter a licença do rei
Mas as almadias que você precisa
Certamente eu já tomei
Gama toma consciência
E começa a refletir
Se eu não der o que esse bicho quer
Nunca poderei partir
Ele agora detido, pensou:
Como é que vou sair daqui?
Quando o homi tá preso
Se dana logo a refletir
Paulo então começou a matutar:
Melhor entregar o que me pedem
Que colocar as naus em risco
Mas só de pensar nisso ficou logo
arisco
No dia seguinte,
Resolveu se render
Dividiu parte dos seus bens
Para no xilindró não se meter
Trocada a sua liberdade por tecido
Ele que não estava ferido
Começou a matutar
Sobre a grande confusão que o
dinheiro pode causar
O tal do poder é mesmo danado
Quando tem dinheiro no meio
Vira vilão até o pobre coitado
Dito isso, vá simbora pro próximo
canto
Para entender mais a história
lusitana
Na visão de um caba que não é nenhum
santo
Brunna Dias
Eloiza Silva
Grazziella Mendonça
Nailson Monteiro
Rodrigo Paz

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